Sunday, September 22, 2002

Recomeçar com algo como interrogação ou reticências... Um ano, pouco mais depois. Alguma vida e alguns pensamentos depois. Mudanças estruturais, outro contexto. Muitos sentimentos depois. Muitas reticências. Muito amor disperdiçado. O mesmo vazio momentâneo.
Esta é só uma tentativa. Porque tá explodindo essa necessidade de interconexão. Síndrome de abstinência tardia. Falta de alguma coisa que eu ainda estou tateando para descobrir o que é...
Sem escrever eu me sinto sozinha, e estou sozinha há tempo demais.

Sunday, August 19, 2001

P.S - Aí embaixo vai um outro desabafo que escrevi pra ninguém, num "dia desses" daqueles em que no mundo só tem eu e minha bolha., minha bolha e eu (levanta a mão quem já teve um destes...). E que resolvi mandar pra vocês só pra ver se, naquele "dia desses" que já passou, consigo me sentir menos sozinha...
( e depois veio parar aqui, não sei por que... porque às vezes vale relembrar, tirar da gaveta o que já foi dito )

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Há um algo qualquer que já não é mais aquela ingenuidade de quem não conhece o prazer intenso de ser desejado, quase tão forte quanto é familiar a intensidade de desejar (desde quando?). Também não é aquela lucidez relutante de quem descobriu o que se chama desilusão, mas que talvez seja apenas a ordem natural das coisas - já que o desejo pode ser tão intenso quanto fugaz. Não é a serenidade (quase apática) que experimenta quem aceita o descompasso e resolve deixar que o mundo gire e as chances passem e o tempo escoe, perdido; tampouco é a angústia de deixar-se estar ao passar das horas, dias, semanas. Não é aquela determinação de quem cansou de esperar e decidiu mudar o mundo - ainda que este mundo seja apenas o que está preso entre as paredes da egolatria natural de cada um. Já não é mais a covardia de abrir parênteses para expressar a dúvida, nem a ousadia calculada de riscar sonhos e intenções na areia lisa. Nem mesmo é a descoberta disfarçadamente frustrada de que, quando a maré volta a baixar, tudo sempre continua igual: a intensidade, o desejo, a relutância, a apatia, a angústia, a espera.
Mas talvez seja ainda o mesmo querer; que é desde sempre. Um querer do encontro, da entrega, da cumplicidade. Do olhar, do toque, do beijo. Um querer de plenitude. Por trás de tudo, talvez tenha sido sempre este querer que procura um bem para fazer eterno; e, à espera, esconde esse “eu te amo” que é tão difícil manter calado.

Tuesday, August 14, 2001

Algumas coisas eu queria dizer, mas não posso, simplesmente porque não sei mais. Talvez essa mania de ficar tentando entender as palavras e o que diabos eu quero com elas (ou elas comigo) seja uma tentativa de descobrir porque eu quero tanto dizer e não consigo. É estranho saber falar e não conseguir dizer. Eu sinto, eu sei, eu tenho a técnica pra descrever isto, mas não consigo. Pelo menos não satisfatoriamente. E aí é mesmo só retórica. Não é mentira, mas é vazio - não tem razão de ser.

Como eu ia dizendo: tpm, isso explica tudo, em determinados momentos... :-)
tpm. isso justifica tanta coisa....

Monday, July 09, 2001

I´m going to bed with this huge but usual feeling that I have no idea of what I´m doing, not a single idea of what I mean when I say my name out loud. And also with this strong and not reasonable need of talking, and of doing this using some other language that isn´t mine. Maybe this is a way to get rid of this obligation of speak always with the right words, obeying the very right grammatical rules. It´s hard for me to make a point in english, and this is just what makes it comfortable... I would never think deep and talk deep and express myself deeply in english, just because I don´t have a vocabulary to be profound. I miss the words, so I don´t get to finish the thought... and, this way, I get excused to talk about something else instead. Maybe these uncompleted thoughts are actually what I really have to offer, and I´m not allowed to do so in portugese, where I´m simply obligated to make some sense, and do so in a reasonable and grammatically correct way...

I think, therefore I am? Empty.

Here I am, justifying my acts, justifying my words, justifying myself all over again. And that´s rhethoric, only. And maybe it´s not less than what they use to call truth or reality, but it´still only this: rhethoric. Not against anything, not in favor of anything. What would I be like if there were no words, no arguments and no role to play? I jump to no conclusion. Maybe that´s all that I am.

Maybe I should erase everythig that comes after "I´m going to bed"...

Monday, July 02, 2001

Fala-se muito Eu já disse isto? Alguém já deve ter dito. Fala-se muito, quase sempre. E nada justifica tal abundância - abuso, às vezes - de palavras, senão essa infinita insatisfação. Fala-se muito para preencher o espaço onde faltam as verdades.
Talvez alguém possa pensar que as verdades podem ser ditas; certamente alguém acredita que as essências podem ser afirmadas, explicadas, impressas. Deve haver até quem se tenha convencido de que se pode construir sentidos com argumentos, de que se pode dizer em palavras as intenções; deve haver mesmo quem esteja convicto de que é possível ser plenamente sincero em orações articuladas. E, se há quem pense assim, talvez assim seja. Mas eu creio que não - e, por enquanto, sigo crendo, pois tenho cá meus argumentos.
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(de um dia qualquer, de que eu me lembrei hoje)

Friday, June 29, 2001

ausente mais por falta de motivação do que de tempo... as vezes a gente liga o piloto automático e vai, sem pensar muito, fazendo as coisas por puro hábito... mas eu tô precisando tomar consciência dos menores detalhes... dá pra entender? quero que as coisas voltem a fazer sentido...

Saturday, June 09, 2001

Talvez faltem fatos, aqui. Mas já há fatos demais noutras redondezas... É que às vezes me bate essa vontade de registrar as ressonâncias dos tais fatos que me enchem a mente. Talvez um dia faça alguma coisa delas; talvez sirvam para algo. Talvez... fosse válido manter um cronograma de fatos registrados para um dia associá-los às respectivas ressonâncias, pois certamente a memória falhará... Mas por enquanto, não tenho vontade de falar de fatos... E acho que quero o direito de esquecer, também.

Registros de fatos não devem ser mesmo confiáveis; serão sempre apenas versões.

Hoje estou em paz e com um certo alívio (ainda que um pouco ansiosa).