P.S - Aí embaixo vai um outro desabafo que escrevi pra ninguém, num "dia desses" daqueles em que no mundo só tem eu e minha bolha., minha bolha e eu (levanta a mão quem já teve um destes...). E que resolvi mandar pra vocês só pra ver se, naquele "dia desses" que já passou, consigo me sentir menos sozinha...
( e depois veio parar aqui, não sei por que... porque às vezes vale relembrar, tirar da gaveta o que já foi dito )
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Há um algo qualquer que já não é mais aquela ingenuidade de quem não conhece o prazer intenso de ser desejado, quase tão forte quanto é familiar a intensidade de desejar (desde quando?). Também não é aquela lucidez relutante de quem descobriu o que se chama desilusão, mas que talvez seja apenas a ordem natural das coisas - já que o desejo pode ser tão intenso quanto fugaz. Não é a serenidade (quase apática) que experimenta quem aceita o descompasso e resolve deixar que o mundo gire e as chances passem e o tempo escoe, perdido; tampouco é a angústia de deixar-se estar ao passar das horas, dias, semanas. Não é aquela determinação de quem cansou de esperar e decidiu mudar o mundo - ainda que este mundo seja apenas o que está preso entre as paredes da egolatria natural de cada um. Já não é mais a covardia de abrir parênteses para expressar a dúvida, nem a ousadia calculada de riscar sonhos e intenções na areia lisa. Nem mesmo é a descoberta disfarçadamente frustrada de que, quando a maré volta a baixar, tudo sempre continua igual: a intensidade, o desejo, a relutância, a apatia, a angústia, a espera.
Mas talvez seja ainda o mesmo querer; que é desde sempre. Um querer do encontro, da entrega, da cumplicidade. Do olhar, do toque, do beijo. Um querer de plenitude. Por trás de tudo, talvez tenha sido sempre este querer que procura um bem para fazer eterno; e, à espera, esconde esse “eu te amo” que é tão difícil manter calado.